Poppi Resolutions 2011
E acabou o pior ano dos 30 já passados do conjunto de moléculas orgânicas baseadas em carbono chamado Pedro Poppi.
Sempre terminava voltando ao zero, mas desta vez estou no negativo.
Quem devia e também quem eu não queria, usando matemática básica, desapareceu. A longo prazo, falta de reciprocidade aniquila qualquer motivação.
Completamente falido, mais estragado e bagunçado do que nunca, idealizando quem não se importa ou quem está fora do alcance e que despreza este submundo auto-destrutivo e contraditoriamente auto-piedoso, odiando pessoas que não conheço e odiando mais as que conheço e com o ego mais inflado que nunca graças ao excesso de estudo que o exagerado tempo livre me permite acumular, estou, finalmente, à deriva.
Por três vezes neste ano ouvi “não tenho tempo para isto”.
Pensando no assunto cheguei à conclusão de que, se todas as pessoas do mundo não têm tempo e são ocupadas demais, então isto tornou-se uma condição que todos temos que lidar, não funcionando mais como desculpas ou justificativa.
Em outras palavras, alegar não ter tempo não concede liberdade poética pra alguém se comportar de maneira egoísta com quem não deveria.
Segunda-feira fui questionado se não gosto de crianças. Sem intenção alguma de responder com uma punch-line, respondi que não gosto de adultos.
A única pessoa que nunca falhou em me impedir de chegar a tal conclusão e que nunca faltou com lealdade morreu este ano, de modo que, até segunda ordem, o ditado vira regra.
“Que tudo se foda”, decidi. E me fodi todo.




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